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O aumento das temperaturas durante as estações mais quentes do ano favorece o aparecimento de serpentes em áreas urbanas e rurais. Esse fenômeno ocorre porque as serpentes são animais ectotérmicos, ou seja, dependem da temperatura do ambiente para regular suas atividades metabólicas (quer saber mais sobre animais ectotérmicos e endotérmicos, procure aqui no nosso blog a matéria sobre esse assunto). Com o calor, elas se tornam mais ativas na busca por alimento e abrigo, aumentando o risco de encontros com humanos.



Para garantir sua segurança e a conservação dessas espécies tão importantes para o equilíbrio ecológico, é essencial conhecer as serpentes que são peçonhentas e de interesse médico no Brasil. Entre elas, destacam-se:

  • Jararácas (gênero Bothrops): responsáveis pela maioria dos acidentes ofídicos no país.

  • Cascavéis (gênero Crotalus): conhecidas pelo chocalho na cauda.

  • Surucucus (gênero Lachesis): as maiores serpentes peçonhentas da América Latina.

  • Corais-verdadeiras (família Elapidae): reconhecidas pelas cores vibrantes e alternadas.


Identificar corretamente as serpentes peçonhentas pode salvar vidas. Essas espécies possuem veneno capaz de causar acidentes graves, e sua correta identificação é crucial para a aplicação do soro antiofídico apropriado.


Além disso, é fundamental lembrar que as serpentes desempenham um papel essencial no controle de populações de roedores e outras presas, contribuindo para a saúde dos ecossistemas. Por isso, em caso de encontro com uma serpente, não devemos matá-las de forma alguma (além de ser crime ambiental, elas possuem função ecológica!). O ideal é afastar-se lentamente e, se necessário, acionar profissionais capacitados para o manejo adequado.


Dicas de prevenção de acidentes com serpentes:


  1. Utilize botas e luvas ao caminhar em áreas de mata ou locais com vegetação densa.

  2. Mantenha quintais e terrenos limpos, evitando o acúmulo de entulhos.

  3. Ao acampar, feche bem as barracas e mantenha sacos de dormir afastados do chão.

  4. Esteja sempre atento ao caminhar por trilhas ou terrenos abertos (serpentes podem ser encontradas em trilhas sim!).


Investir em conhecimento é a melhor forma de proteger-se e proteger a fauna silvestre. Na Bioconservation, oferecemos cursos e treinamentos voltados ao manejo de fauna e à identificação de serpentes (Clique aqui e inscreva-se na próxima turma), incluindo aquelas de interesse médico. Não perca a oportunidade de aprender mais sobre essas fascinantes criaturas e contribuir para a conservação da biodiversidade.

Fique atento, proteja-se e valorize a natureza! Explore mais conteúdos e cursos em nosso blog.


Texto: Doutorando Rafael C. Moura

 
 
 

Por muitos anos, animais foram classificados de forma simplista como “de sangue frio” e “de sangue quente”. Apesar de populares, esses termos eram imprecisos e não explicavam como os animais regulam suas temperaturas corporais. Hoje, usamos os termos ectotérmicos e endotérmicos, que descrevem melhor os processos biológicos envolvidos na termorregulação.


Os antigos termos criavam equívocos. “Sangue frio” sugeria que a temperatura corporal desses animais era sempre baixa, o que não é verdade. Répteis, por exemplo, podem atingir altas temperaturas ao se aquecerem ao sol. Já “sangue quente” fazia parecer que endotérmicos têm sempre temperaturas elevadas, ignorando variações internas.



Os termos atuais são mais precisos:

Ectotérmicos - Dependem de fontes externas de calor, como o sol, para regular sua

temperatura corporal.

Endotérmicos - Produzem calor internamente, através do metabolismo, mantendo a

temperatura corporal constante, independentemente do ambiente.


Os animais ectotérmicos incluem répteis, anfíbios, peixes e a maioria dos invertebrados. Por não gerarem calor suficiente internamente, dependem de comportamentos específicos para regular sua temperatura, como se expor ao sol ou buscar sombra.


Possuem como características principais:

Baixo gasto energético - Como não precisam manter a temperatura corporal constante, consomem menos energia, podendo sobreviver com menos alimento.

Dependência ambiental - Sua atividade está diretamente ligada à temperatura do ambiente.


Em climas frios, podem se tornar letárgicos, reduzindo movimentos e alimentação. Um belo exemplo dessa classe de animais são os crocodilos, que utilizam técnicas de regulação térmica como manter a boca aberta para liberar calor ou alternar entre água e terra para ajustar a temperatura.


Já os animais endotérmicos, têm os mamíferos e aves como seus principais representantes. Eles mantêm uma temperatura corporal constante ao gerar calor por meio da quebra de moléculas energéticas (como carboidratos e gorduras) e da atividade muscular.


Possuem como características principais:

Alta demanda energética - A manutenção da temperatura constante exige grande consumo de alimentos.

Independência do ambiente - Podem se manter ativos em climas extremos, como desertos quentes ou regiões polares.

Adaptações térmicas - Contam com isolamento térmico, como pelos, penas ou camadas de gordura, para reduzir a perda de calor.


Como exemplo dessa classe temos os pinguins, que são capazes de sobreviver em ambientes extremamente frios, graças a penas impermeáveis e uma espessa camada de gordura que retém calor, mesmo em águas congelantes.


Embora a divisão entre ectotérmicos e endotérmicos seja útil, algumas espécies desafiam essas categorias:

Heterotermia regional - Peixes como o atum e o tubarão-branco podem aquecer músculos específicos, aumentando sua eficiência em águas frias.

Torpor em endotérmicos - Morcegos e beija-flores, por exemplo, reduzem seu metabolismo em momentos de escassez de energia, adotando um estado semelhante ao de ectotérmicos.


A mudança de “sangue frio” e “sangue quente” para ectotérmico e endotérmico reflete uma compreensão mais precisa das estratégias térmicas dos animais. Cada grupo possui adaptações incríveis que garantem sua sobrevivência em uma ampla variedade de habitats. Ao entender essas diferenças, podemos apreciar a complexidade da natureza e como os organismos se ajustam aos desafios do ambiente. Seja buscando calor ao sol ou mantendo a constância interna, ambos os grupos mostram como a vida é incrivelmente adaptável e resiliente.


Assista os vídeos a seguir para entender o que acabamos de dizer:





Gostaram do nosso tema de hoje? Curtam e comentem a sua opinião sobre esse artigo. Deixem nos comentários um tema que vocês gostariam de ver aqui no nosso blog da Bioconservation!


Referências:

Rezende, E.L. and Bacigalupe, L.D., 2015. Thermoregulation in endotherms: physiological principles and ecological consequences. Journal of Comparative Physiology B, 185(7), pp.709-727.


Kearney, M., Shine, R. and Porter, W.P., 2009. The potential for behavioral thermoregulation to buffer “cold-blooded” animals against climate warming. Proceedings of the National Academy of Sciences, 106(10), pp.3835-3840.


Texto: Douglas Siqueira. Equipe Bioconservation.

 
 
 

O desastre nuclear de Chernobyl, ocorrido em 1986 na antiga União Soviética (atual Ucrânia), é considerado um dos piores da história. A explosão do reator 4 liberou uma quantidade significativa de materiais radioativos, tornando o local inóspito para humanos e alterando radicalmente o ecossistema. Elementos como césio-137 e estrôncio-90 contaminaram o solo e a água, emitindo radiação ionizante que afeta o DNA e o metabolismo celular de organismos vivos. Apesar disso, algumas espécies surpreenderam os cientistas ao demonstrar capacidade de adaptação, como a perereca-da-árvore oriental (Hyla orientalis).



Antes do acidente, esses anfíbios exibiam uma coloração verde, característica das populações de áreas não contaminadas. No entanto, mais de 30 anos após o desastre, muitos indivíduos na Zona de Exclusão apresentam uma coloração de pele significativamente mais escura, tendendo ao preto. Essa mudança não foi aleatória ou estética, mas uma adaptação que permite maior proteção contra os efeitos da radiação ionizante.

Crédito da imagem: P. Burraco e G. Orizaola, Evolutionary Applications 2022 (CC BY 4.0)


O pigmento responsável por essa transformação é a melanina, uma substância que protege contra diversas formas de radiação, incluindo a ionizante. Nas pererecas de Chernobyl, a melanina funciona como um "escudo químico", neutralizando radicais livres e reduzindo os danos ao DNA. Isso aumenta a sobrevivência e a reprodução de indivíduos mais escuros, levando à perpetuação dessa característica nas gerações seguintes.


Pesquisadores começaram a estudar essas pererecas mais intensamente em 2016, quando identificaram exemplares de H. orientalis com coloração escura em lagos dentro e fora da Zona de Exclusão. Após três anos de análise, mais de 200 indivíduos foram avaliados, e os resultados confirmaram que a coloração mais escura é predominante nas áreas mais próximas à explosão, onde os níveis de radiação eram mais altos.


Essa adaptação é vista como um exemplo de evolução rápida. Indivíduos com menos melanina, portanto mais vulneráveis aos efeitos da radiação, tiveram menor chance de sobreviver e se reproduzir, enquanto os de pele mais escura prosperaram. Além da coloração, é provável que outras mudanças fisiológicas e comportamentais também tenham ocorrido para ajudar esses anfíbios a se adaptarem ao ambiente hostil de Chernobyl.


Embora a Zona de Exclusão continue inabitável para humanos e a previsão de segurança total na área seja de milênios, a natureza encontrou formas de se adaptar. A presença das pererecas e outras espécies no local demonstra a resiliência da vida selvagem diante de condições extremas. Pesquisas futuras poderão esclarecer os mecanismos genéticos que possibilitaram essa transformação nas pererecas e explorar os impactos a longo prazo da radiação sobre os ecossistemas da região.


Este fenômeno de adaptação destaca a complexidade da evolução e a importância da

biodiversidade na manutenção dos ecossistemas, mesmo em cenários de extrema

adversidade. A capacidade das pererecas de Chernobyl de se ajustarem às condições extremas do ambiente radioativo é uma evidência impressionante de como a vida se transforma para sobreviver.


Texto: Douglas Siqueira. Equipe Bioconservation.


Referência bibliográfica:

Burraco, P., & Orizaola, G. (2022). Ionizing radiation and melanism in Chornobyl tree frogs. Evolutionary Applications, 15, 1469–1479. https://doi.org/10.1111/eva.13476

 
 
 

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